Estou super feliz de compartilhar com vocês o meu texto que foi publicado na Revista Sintonia Universitária:


Para quem quiser ver a edição digital da revista, clique aqui.

Segue o texto na íntegra:

Todos os dias recebo emails de adultos e jovens adultos preocupados em melhorar seu inglês “para ontem”. São pessoas com boa formação, pós-graduados, com extensa carga horária em estágios e cursos em suas respectivas áreas, que desabafam: “perdi uma ótima oferta de emprego por não ser fluente em inglês” ou “preciso melhorar meu inglês até o dia X para ser promovido”, dentre outros.

Como não existem receitas mágicas para se aprender uma língua estrangeira, veremos aqui as desculpas mais comuns que levam as pessoas a buscarem justificativas para não estarem em dia com o idioma. Todos nós já ouvimos , vez ou outra, alguém usar alguma delas. Portanto, é importante buscar informação para prevenir que essas desculpas venham a atrapalhar seu sucesso profissional, pois logo quem estará no mercado de trabalho é você.

1 – “Quando eu me formar eu vou ter mais tempo para me dedicar ao inglês”

O maior erro é achar que depois da faculdade as coisas estarão mais calmas e será mais fácil se dedicar ao inglês. Ledo engano. Você estará mais empenhado em procurar emprego, participar de entrevistas, processos seletivos que em alguns casos serão em outras cidades. Se conseguir um emprego rápido, será hora de se adaptar a nova rotina, participar de treinamentos, se dedicar, trabalhar horas extras, fazer cursos pela empresa, viajar a trabalho e sua rotina fugirá ainda mais ao controle.  Além disso, as melhores vagas de trabalho serão ocupadas por aquele seu colega da graduação que já estudava inglês desde que era calouro.

2 – “Faço um curso nestas escolas de inglês em 12 meses”

Não se deixem enganar pela mídia, não existe fluência em apenas 12 meses. De acordo com a Cambridge Esol(*) são necessárias de 1000 a 1200 horas de estudo para se tornar fluente em inglês. Isto significa estudar 3,5h de inglês por dia durante um ano sem direito a feriado! Além de logisticamente impossível, é também didaticamente inviável pois o nosso cérebro precisa descansar para melhor processar as informações recebidas.

O ideal é fazer um curso com uma média de 3horas semanais e se dedicar em casa mais 3horas semanais, totalizando 120horas por semestre. Durante este período, é possível absorver o idioma de forma mais natural e duradoura.

3  – “Só consigo aprender inglês fluente se morar fora”

Viajar, experimentar uma nova cultura, observar como os hábitos das pessoas são diferentes no dia a dia é acima de tudo uma experiência enriquecedora, mas não é o “único” jeito de aprender inglês.

O grande trunfo de morar fora é ter uma imersão de 24h por dia de inglês: na escola, na TV, na família que te hospedou, nas lojas, restaurantes, etc. O grande perigo é achar que apenas “ir” é o bastante e não se dedicar. Mesmo estando lá, é necessário se envolver nas aulas, participar, praticar em casa e tentar interagir com o máximo de pessoas possíveis.

Muitos brasileiros viajam para estudar e acabam por fazer amizades com outros brasileiros, diminuindo assim seu tempo de exposição ao idioma. Além disso, é preciso manter contato com o idioma quando retornar ao Brasil caso não queira esquecer tudo o que aprendeu.

4 – “Ainda não achei um bom professor nativo”

Muitos alunos procuram professores nativos pois acham que eles sabem mais. O perigo, nesse caso, é cair nas mãos de alguém que é fluente no idioma mas sem conhecimento de didática, metodologia e psicologia da aprendizagem de forma a não saber montar uma estratégia que a aquisição do idioma. O motivo aqui é simples: todos os brasileiros são fluentes em português, certo? Mas será que isso torna todos nós aptos a ensinar português? Claro que não.

Um bom professor deve ser escolhido a partir da sua formação, experiência e comprometimento com o idioma. Muitos “nativos” sem formação na area, apenas dão aula de inglês para ganhar um “extra” e largam o aluno tão logo consigam um emprego estável na sua área de formação.

Claro que há bons professores nativos, são os que já ensinavam inglês nos seus países de origem, que tem formação em linguística e já dão aula há bastante tempo.  Assim, como há ótimos professores brasileiros, que além da qualificação contam com um diferencial que nenhum nativo tem: a experiência de alguém que tem o português como língua mãe e que precisa aprender inglês. Esta experiência oferece um ponto de vista diferente na hora de ensinar, pois ele entende exatamente a dificuldade do seu aluno.

5 – “Não tenho dinheiro, estudar inglês é caro”

Há varias formas de aprender inglês e cada uma delas tem custos diferentes. Antes de escolher a forma de aprender, o importante é lembrar que estudar inglês é um investimento e não um gasto. Como todo investimento, a melhor aplicação agora trará melhores resultados no futuro.

Para quem gosta de aulas em grupos, há escolas que atendem a todos os públicos e bolsos. Para quem prefere professor particular, fazer uma dupla ou trio melhora o custo/benefício. Muitas faculdades de Letras oferecem cursos de inglês para a comunidade em geral como forma de “treinar” os futuros professores, e há ainda programas do governo estadual e municipal.

Por último, se você é realmente disciplinado, é possível ser um autodidata em inglês. Usando a Internet a seu favor, o que não faltam são sites, blogs, vídeos e canais de bate papo para aprender inglês.

6 – “Não tenho tempo para estudar inglês agora”

Tudo na vida é questão de prioridade. Então, primeiro de tudo, liste as suas prioridades atuais e coloque-as em ordem de importância. Se o inglês for uma de suas prioridades, vamos para o segundo passo: organização. É nesse momento que você vai estabelecer um cronograma de estudos e estabelecer um horário para o inglês.

Fora as aulas, separe pelo menos de 15 a 30min diários para manter contato com o idioma. Este tempo pode ser usado de diversas formas: reveja o que foi visto em aula; faça tarefa de casa; treine o ouvido com uma música e a respectiva letra; assista a um episodio de uma serie em inglês anotando as expressões novas que escutar; leia sites ou blogs em inglês, entre outras. O importante é manter contato com o idioma o mais intensamente possível, sem impactar muito a sua rotina. Afinal, o que são 15 minutos diários se inglês realmente for sua prioridade?

 7 – “Quero fazer só conversação”

Alguns alunos nos procuram querendo “só conversação”. O que é viável se o aluno já estiver num nível mais avançado do idioma e precisar apenas mantê-lo ou ampliar sua habilidade de se comunicar oralmente. Caso contrário, um curso de “só conversação” é uma auto-sabotagem. Se o aluno ainda está num nível básico, a conversação acontecerá no nível básico, utilizando construções simples e temas objetivos. Um aluno de nível básico não tem ainda material linguístico suficiente para desenvolver discussões argumentativas ou explicar o passo a passo detalhado do funcionamento de uma máquina por exemplo. Falta a este aluno base gramatical, vocabulário e principalmente falta a ele a habilidade de pensar em inglês, e esta habilidade só vem com o tempo e com a prática contínua. Lembram das 1200horas para se tornar fluente sugeridos pela Universidade de Cambridge? São estas atividades que vão contribuir para acelerar estas horas e consequentemente tornar o aprendizado mais rápido e produtivo.

 E então, se identificou com algum dos pensamentos acima? Caso negativo, parabéns! Acredito que vc já esteja aprendendo inglês e portanto, já tem vantagem em qualquer processo seletivo. Agora, se você já usou uma ou mais das desculpas acima para adiar o seu aprendizado de inglês, está na hora de rever seus conceitos e começar a correr atrás do tempo perdido. Uma boa dica é conversar com os colegas que já estudam inglês e tentar perceber o que funciona para eles. Outra idéia é conversar com professores e comparar os diferentes métodos, sempre levando em conta a postura profissional deles. Escolha o que mais vai de encontro a suas expectativas e se dedique bastante! O retorno com certeza é garantido!